The Soft Moon – Die Life (download)

Total Decay do projeto solo The Soft Moon não soou exatamente ao que o título e curriculum do seu autor prometiam. Antes um envolvente e contínuo grito por autonomia – aos nossos ouvidos- , aquele que foi um nossos EPs favoritos do ano passado vai ter sequela a 30 de Outubro pela Captured Tracks. Die Life é single de apresentação de Zeroes e propõem visões de Luis Vasquez (na foto) a percorrer os desertos do Arizona num descapotável movido a leite azedo. Bom e seguro entretenimento à antiga, para stream e download.

Björk – Thunderbolt + Sacrifice (Death Grips remixes)

A invasão ainda estava longe mas o som dos veículos gigantes em forma de rodas dentadas maciças avançando sobre a cidade vizinha – nivelando escolas, filas de carros abandonados e centros comerciais sem exército que os abrandasse – enchia de pânico os corações e os aeroportos abandonados há muito por quase todos os pilotos giros e seu séquito de hospedeiras deslumbradas e jovens políticos desgravatados. Dispostos na auto-estrada em espera, de tronco nu ou t-shirt sem imagens, apenas um grupo, costas voltadas para o caos e de frente para o horizonte em chamas. O som dos vidros e do metal quebrado enche-os do mesmo horror dos que lutam na cidade pela fuga, mas estes não se movem. Não podem. Eles precisam saber se, quando as gigantes rodas dentadas lhes passarem por cima, se escaparão ilesos no espaço entre os dentes.

O som do antes poderia ser Thunderbolt e o depois Sacrifice de Björk, revistas pelos Death Grips. Duas faixas fulminantes que integram em glória a coleção Biophilia Remix Series II e que podem atestar aqui, na integra e com volume a três quartos.

Death Grips – The Fever (video)

É tão fácil fazer promessas de enxurrada de conteúdo no inicio do ano como comprar o “último” litro de gelado antes da dieta. Os Death Grips ao menos estão a cumprir e com o novo The Money Store a sair já dia 24 de Abril pela Epic Records (capa mesmo a sério lá em baixo), segue o já quarto (!) vídeo desde Janeiro.

Para os habituados ao som demolidor do trio da Califórnia, esta The Fever (aye aye) até é relativamente pacífica, com um flow a fazer lembrar uns HEALTH. Para os outros, convertam-se quanto antes pois o Primavera Sounds virá abaixo no dia 9, com ou sem vocês.

Download gratuitos da faixa, assim como das outras três, no site dos bichos.

Sleigh Bells – Reign Of Terror (stream)

O segundo álbum do duo brooklyneiro Sleigh Bells abre com um concerto fictício numa arena gigante em Nova Orleães. Com cabelo e braços embalados por uma guitarra e bateria a aquecer – decerto o primeiro som interessante em meia hora de espera ao som da extinta RockFM – a multidão entra no previsível delírio quando Alexis Krauss, envergando com desleixo calculado um par de jeans em “mau estado” e casaco de cabedal vegano, enfrenta a quarta ou quinta multidão de milhares só naquela semana: “New Orleans! What the f*ck’s up?” Estamos a assistir ao espetáculo VHS em casa – para experimentar o sistema de som novinho em folha – e por isso os palavrões são omitidos. “Coisas da máquina MTV” dizemos nós enquanto aumentamos o volume pelo receio de não captar toda a experiência possível. Erro inocente pois, logo que terminada a contagem decrescente por Alexis e a multidão, Derek E. Miller lança-se de cabeça na guitarrada mais orgásmica deste lado dos 80’s, que num instante derrete o VHS para o moldar num disco blue ray, encaminhando a nova aparelhagem de forma gloriosa a uma reforma antecipada.

Este é o inicio brutal de Reign Of Terror, o sucessor do essencialmente ruidoso mas na minha opinião meio vazio Treats de 2010. O noise juvenil a roçar o inaudível desce para segundo plano, permitindo à guitarra de Derek assumir as suas claras influências hair metal via Van Halen ou AC/DC, ao ponto de reavivar com total eficácia o espírito do rock de arena dos cabeludos 80. Tudo evidente desde a poderosa abertura True Shred Guitar ao fecho frenético D.O.A. e sem a mais pequena ponta de ironia. Derek E. Miller confirma-se como um guitarrista do caraças, os Sleigh Bells como bem mais interessantes do que se fazia prever e Reign Of Terror como uma das maiores fábricas de malhas de 2012. Fica o stream na integra via 3voor12 e mais não digo porque isto não é uma review, é um “\m/  \m/” com grunhidos para o jornalista à saída do concerto.