Skrillex – Scary Monsters and Nice Sprites

Estamos já quase em 2011, 7 anos volvidos desde a fundação daquilo a que se convencionou chamar o “dubstep”, e é interessante que as discussões sobre a sua passagem para o mainstream ainda comecem tantos fogos em tanto fórum nas internetes. Afinal, disseminado o wooble como definição sonora do proverbial filthy – tanto no dnb como no próprio dubstep – e descoberto há muito o potencial para as pistas dum género de batida que usa o silêncio como o principal catalisador de emoções, é estranho a coisa não estar ainda por todo o lado.

As teorias são muitas. A mais interessante fala dum certo secretismo relativo à “formula” dubstep que se estendeu muito para além do normal da maioria dos géneros. De facto durante os anos iniciais da sonoridade, quase toda a produção do dubstep se concentrava num grupo relativamente selecto de produtores de dub históricos, génios prematuros e professores de musica. Burial disse uma vez em entrevista que o objectivo, se o houvesse, seria o de barrar o máximo de tempo possivel o conhecimento da  “fórmula” às massas, para diminuir a avalanche de trabalhos amadores que isso acarreta.

Burial é estranho mas não é nada parvo, e o que ele diz faz sentido se pensarmos no rácio boa produção / má produção dos mais variados géneros da electrónica ao rock, da pop ao hardcore e fizermos a comparação com o do dubstep, nos seus primeiros 5 anos: bem mais de metade da produção era excitante, progressista, cimentada na procura inteligente de uma nova gama de sons e ritmos, tudo sem descurar o prazer. É bem possível que este nível de qualidade tenha sido consequência do elitismo inicial dos produtores, mas é inegável que ele existiu e durou tempo suficiente para cimentar os propósitos progressistas do dubstep.

Joy Orbison

Rusko

O tempo passou e hoje existem talvez duas grandes facções, entre os mil e um subgéneros: os herdeiros da primeira geração, interessados na perfilhação de novos sons e em diálogos constantes com o hip-hop abstracto; e toda uma novo grupo que bebeu do aspecto deliciosamente rave de muitas das produções de gente como Skream, e procuraram fazer musica pensada para as pistas,  orientada para um segmento de público que prefere não levar a musica tão a sério, pelo menos entre vodkas de morango. E é neste contexto que surge o EP Scary Monsters and Nice Sprites, de Skrillex.

Sonny Moore é um nome mais ou menos reconhecido no meio alternativo mais pesado, que recentemente assinou com a produtora de DeadMau5. O rato já andava a ameaçar orientações dubstep nos seus últimos sets de house progressivo e por isso não foi com a maior das surpresas que convidou o recém-assinado Sonny, sob o nome Skrillex, para o acompanhar na mais recente tour. O ultimo EP de Skrillex denota exactamente esta fusão de duas ideias/linguagens em teoria tão diferentes, mas que juntas fazem todo o sentido, e a sensação que fica depois de ouvir Scary Monsters and Nice Sprites é de que se a evolução da face mais acessível do dubstep for por aqui, então que assim seja.

Antes isso que mais terrores à semelhança de uns Mt.Eden e os seus muito pouco inspirados remixes em formato linha-de-montagem, recebidos quase sempre com deprimente visibilidade e relativo sucesso. Para que isso não faça escola, fica o single de scary monsters e uma interessante promo de todo o EP.

Scary Monsters and Nice Sprites

Promo de Scary Monsters and Nice Sprites, o EP

E como bónus, o mais purista que não gostar desta orientação pode sempre virar à esquerda e encontrar todo um maravilhoso mundo de post-dubstep ainda por descobrir. “É por isto que gosto de dubstep #2134134. “

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