MGMT – Congratulations


Depois do meu post anterior, em que dedico algumas linhas a louvar os céus pelo regresso de Kanye West às origens, longe dos experimentalismos dos últimos esforços, posso parecer inconsistente ao defender um álbum como Congratulations, o ultimo MGMT. Mas não estou, de todo, e isso insulta-me, vão-se lixar.

Mas já voltamos a essa ideia.

Depois do sucesso absurdo de Oracular Spectacular, que vendeu para cima de um milhão de cópias até agora, o caminho a seguir para os MGMT era necessariamente espinhoso. Esqueçam o eterno dilema do segundo álbum, qualquer pessoa que já os tenha visto ao vivo sabe que são uma banda temperamental e sem grande paciência para os pormenores, pelo que o que os preocuparia num segundo trabalho não seria tanto o sucesso sem perder o norte – à la Strokes – mas sim manter a coisa divertida e interessante de se fazer. Ninguém se ilude aqui, a banda deseja tanto o sucesso como qualquer outra mas, com o dinheiro que fizeram até agora, não transmitem vontades de voltar a fazer o mesmo se não for giro.

Isto não faz deles herois do indie, de todo. Toda a gente sabe que não é a orientação comercial do artista que o faz um sucesso comercial, pelo menos não nos meios mais alternativos: tudo depende de fazer o som certo na altura certa para o publico certo, e esperar que pelo menos um décimo desse público tenha um blog. E os Mgmt são banda para conhecer essa realidade, para saberem que que gosta deles está aberto às ideias que eles queiram deitar cá para fora, e fará o seu julgamento a partir daí, para o bem ou para o mal.

Mas Oracular Spectacular é um álbum especialmente complicado. Kids ou Time to Pretend ou mesmo Electric Feel tornaram-se hinos, aceites tanto nas discotecas alternativas como em meio outro mundo. Atravessar mundos é a melhor coisa que pode acontecer a uma banda mas um sucesso desta envergadura só acontece quando uma camada bastante significativa dos ouvintes é de mera circunstância. E são esses que estão a receber Congratulations e seu avanço  Flash Delirium com total desdém.

Ora a critica é uma coisa boa, a nova direcção dos MGMT não está livre de receber esse inquérito por parte do público, seja ele qual for. No entanto, quando a maioria desses comentários rondo o insultuoso “- meh, não é a Kids…” então facilmente percebemos que o problema não está no som.

Congratulations é um álbum coeso e firmemente fundado nas ideias psicadélicas dos anos 60, via Kinks e Love. Não tem singles evidentes – embora adivinhe um sucesso “inesperado” de Flash Delirium nas pistas – e está, por isso mesmo, a milhas de Oracular Spectacular.  Não vou fazer qualquer resenha do álbum, para isso podem sempre ler aqui ou ver aqui. O que acho mais relevante nesta historia é a absurda recusa das massas à ideia de algo diferente, quando todo o conceito de indie pressupõem o culto da diferença. Nem creio estar a ser ingénuo nisto, eu sei que a máquina funciona em qualquer lado.  No entanto, quando uma banda dedica tanto do seu tempo a informar toda a gente que o álbum vai ser diferente para depois ver o trabalho criticado por isso mesmo, a vontade é de pegar em armas. Se as pessoas não querem saber se a banda vive ou morre, se a sua relação com ela é baseada em singles que possam reconhecer, porque acreditam que a sua opinião sobre dita banda é relevante? Porque acreditam que a sua contestação sobre uma coisa que desconhecem é razão em si mesma suficiente para dar voz ao descontentamento sobre nada ou quase nada?

E é por isso que não creio estar a ser pouco consistente ao defender a volta às origens de Kanye West e a mudança de rumo dos MGMT. Como não sou ouvinte de circunstância de nenhum desses projectos, aquilo que me preocupa é que cada um deles mantenha a sua genica criativa no ponto alto, mesmo que não o mais confortável para mim. Se não gosto da direcção, é triste mas acontece e seguimos caminhos diferentes. Dizer “não é a Kids…” é que não e gostaria de esbofetear pessoalmente cada um dos autores dessa frase. Não é como se os cds e mp3 de Oracular Spectacular se tenham esfumado, podem sempre recorrer a eles.

Ah, e o álbum é óptimo, se não ouviram ainda podem fazer o stream no site e tirar as vossas próprias conclusões.

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