No mp3… disasterPEACE.

DisasterPEACE é um miúdo do Estado de Nova York. Como todos nós, cresceu entre sons de cogumelos com pernas a serem barbaramente esmagados e entre risos de escárnio de cães de caça que são impossíveis de matar… O que torna diferente disasterPEACE (ou Rich Vreeland) é o fazer parte dum minúsculo núcleo de nerds que se divertem a juntar os sons arquétipos dos soundchips de jogos antigos de modo a fazer com eles música nova. Continue reading

Air – Electronic Performers

O momento. O mundo estava em 2001 e eu na fila da frente.

Já está comprado o bilhete para Air no Coliseu dos Recreios, dia 16 do próximo Janeiro. A sensação é estranha – no momento em que me foi entregue o bilhete na mão e a mulher confirmou a data o meu cérebro morreu um bocadinho: ele tinha criado a ilusão que o espectáculo seria para Fevereiro ou Março e, de repente, é já amanhã.
Isto porque para mim ver Air ao vivo é como uma espécie de religião: não cumprimos sempre mas levamos tudo muito a sério: Já vi os senhores duas vezes, numa época de ouro (10 000 Hz Legend) e noutra tristemente inglória (Pocket Symphony). Uma o meu concerto da vida, o outro uma desesperada prece para que tocassem o material antigo. E eu odeio gente que se queixa das bandas por não tocarem suficiente material antigo, especialmente quando a função da tour é exactamente promover o novo álbum. Mas Pocket Symphony é um álbum medíocre e não há fanservice que o salve do esquecimento.


Talvez seja por isto que estou com as ânsias outra vez. Love 2, último esforço da banda e objecto motivador desta tour, é um conjunto de “canções” bastante feliz, que tenta o melhor que pode aliar as composições mais clássicas de Moon Safari com a electrónica agreste de 10 000 Hz Legend, sem perder a simpatia dos singalongs de Talkie Walkie. Juntar demasiadas ideias não tem forçosamente que terminar mal e Love 2 “entrega”, nem que seja pelo menos a esperança de que os Air ainda têm fôlego para nos ajudar a respirar.

Air- Coliseu dos Recreios dia 16 de Janeiro de 2009, 28.00€ Plateia

Shearwater – Castaways


Shearwater estão de volta para suceder ao brilhante Rook do ano passado com The Golden Archipelago, e o aperitivo é esta Castaways. O veredicto?  As saudades que tinha destes sons deixam-me a lacrimejar como uma menina com conjuntivite. Poucas são as bandas neste momento a fazerem musica tão imediatamente bela, serena mas carregada de emoções pesadas. Depois da audição, queremos ir trabalhar para um call-center para poder comprar aquela cabana de madeira, junto à praia, e observar pássaros até à meia-idade.

O site está lindissimo, confere-se o video de apresentação e sonha-se um album mais coeso, meio conceptual, sobre a autraliana parte do mundo e sobre aqueles seus habitantes que, por variadas razões, são obrigados a vê-la de cima, sem nunca poderem aterrar.

Rook foi do melhor de 2008, é desta que os Shearwater vão dominar o mundo? As montanhas e as serras já são deles…