A segunda edição do Anita Vai ao Mel na Autónoma já está online na rádio e aqui no blog.
Esta semana, os destaques vão para as duas edições de peso da passada semana, King Of Limbs dos Radiohead e Let England Shake de Pj Harvey. Se o primeiro é tão controverso como o resto da discografia da banda, já Let England Shake é outro nível. E os bilhetes esgotados…
Saúda-se também a Família Smith e o apetitoso novo álbum Best of Gloucester County, assim como a edição da esperadíssima revisão de Jamie XX para um dos grandes de 2010, I’m New Here, de Gil Scott-Heron.
Lá pelo meio, novos sons de Architecture in Helsinki, Tyler, The Creator, (raios parta a virgula) e PS I Love You, com ajuda à voz de John O’Regan (Diamond Rings).
Assim se faz mais uma hora de Anita Vai ao Mel, que podem acompanhar na Autónoma às segundas, quintas e sextas, às 11 da manhã e 11 da noite; ou baixar/ouvir aqui mesmo.
PS: obrigado pelo relativo sucesso da última edição, “makes it all worthwhile”
Let England Shake, o ultimo PJ Harvey, é uma fotografia de guerra. Mas dificilmente ganharia o World Press Photo, porque o que se fotografa não é o sensacionalismo útil da carnificina ou a eminência da morte: aqui remexe-se no passado à procura de respostas para os conflitos de hoje e amanhã.
Quando vistas sobre perspetiva semelhante, as belíssimas melodias folk que aqui discorrem tornam-se assobios no nevoeiro, e Let England Shake um documento arrepiante do que ficou no ADN de Inglaterra, após os horrores da Primeira Guerra Mundial. Tudo isto composto, tocado e cantado com uma distância tão notável na sua maleabilidade que se comenta a ideia de Nação Inglesa ao mesmo tempo que o peso dos membros decepados dos jovens soldados, suspensos ainda nas árvores.
Apesar da temática forte e a espaços dura, Polly Jean comentou ter-se visto a si própria como uma artista de guerra na composição do álbum, e que era essa a intenção. Como um fotógrafo que compõe os planos, ou um escritor que medita no ritmo das frases, a música de guerra também tem obrigação de ser, primeiro que tudo boa, interessante. Os tons de folk inglesa e as escolhas na entrega da voz (sem seriedades excessivas e com instantes de algum humor ácido) sugerem na perfeição a ideia de artista em campo, e o recente convite para se tornar a primeira performer musical correspondente de guerra para o Imperial War Museum – assim como a entusiástica recepção do álbum por parte de veteranos de guerra – indicam que as intenções de PJ Harvey foram conseguidas em pleno.
A minha relação com a senhora não vê grande entusiasmo desde que os primeiros acordes de Big Exit me obrigavam a ir para o liceu todas as manhãs, há uns bons 12 anos já (ai…). A carreira trouxe outros álbuns interessantes mas tenho estado meio a leste, embora espectador distante do desenvolvimento da sua personna camaleónica e consequentes conflitos com o que muita gente diferente espera dela.
Talvez por isso mesmo não se tenha feito grande alarido aqui no blog à sequência de vídeos relativos a TODAS as faixas de Let England Shake, realizados por Seamus Murphy, que têm saído a conta-gotas desde o final do ano passado.
Agora que o álbum foi ouvido e já estou em sentido, não irei deixar escapar um. Já saíram três, fiquem com o ultimo, e aproveitem para passar pelo canal do Youtube para ver os outros dois.
Let England Shake, na nossa opinião o mais impressionante álbum a ter saído nestes primeiros dois meses de 2011, já está nas lojas.
UPDATE: King Of Limbs já está disponível, no site da banda. Sim, saiu um dia mais cedo, isto porque “já estava tudo pronto no site” segundo a banda. Dias Felizes.
É evidente que os Radiohead dominam a Internet. King of Limbs sai amanhã (19/02) e ainda não há leaks? O primeiro dos vídeos promocionais saí 3 dias antes da data de lançamento e é a primeira demo dos sons do álbum? Sagacidade.
Lotus Flower é uma performance conduzida por Wayne McGregor e realizada por Garth Jennings. Nela, Thom Yorke recria a dança que pratica com diligência nos clubes mais refundidos de Londres, apresentando ao mesmo tempo um lado sereno e quase clássico Radiohead de King Of Limbs: Lotus Flower é como uma canção-modelo da banda pós Ok Computer, tanto em ritmos como na entrega – aqui surpreendentemente cristalina – da voz. E não fosse isso bom o suficiente, é também extremamente viciante.
Mas ainda é cedo para tecer impressões sobre como o álbum soará no seu todo. Afinal, só sai amanhã. Sagacidade.
Os Radiohead inventaram o primeiro browser e Thom Yorke o primeiro meme. (foi aqui que o leram primeiro)
Após umas boas férias de uma semana (com prendinhas de Valentim lá pelo meio), voltam as emissões regulares do Anita Vai ao Mel. O horário ainda não é definitivo, mas por enquanto podem ouvir o programa às segundas, quintas e sábados, pelas 11 da manhã e 11 da noite. Prime time! Rick James!!
O segundo programa gravado na Rádio Autónoma destaca uma quantidade generosa de regressos, como os de Toro Y Moi, Tim Hecker e Panda Bear.
Lá pelo meio, espaço aos Braids(na foto) e o seu refrescante segundo LP Native Speaker, novo single de XXXY e insistências para os Trail of Dead e Anna Calvi.
Podem baixar o programa ou ouvir aqui (ou na Autónoma), todo um leque japonês de opções. Fiquem com um cheirinho da tracklist por parte dos Cold Cave, que já ameaçam regresso faustoso.
Depois da mixtape de ontem, acordamos para o mundo com um murro no estômago muito digno, cortesia Tyler The Creator. O novo e impressionante vídeo para Yonkers é um festival minimalista do mais simples e eficaz desconforto.
Violento e desconcertante sem uma ponta de gore visível, usa como grande trunfo a direcção e (grande) performance de Tyler, a simulação de plano-sequência e as mudanças de focagem, com brilhantes resultados a conferir já aqui.
1.Faust - Le Bouffle
2.James Blake – Why Don’t You Call Me/I Mind
3.Onra – The Valley Of Love
4.Magdalena Solis – Proserpina’s Gardens
5.Talk Talk – Desire
6.Ryoji Ikeda – +/-
Sobre isto não vou dizer muito mais. James Blake apresentou uma deliciosa cover de Joni Mitchell (na foto) no show semanal do Zane Lowe, na BBC Radio 1. Mais um momento perfeito a justificar o hype – que por momentos deixa de ser uma palavra feia.
James Blake, o álbum, já está cá fora.
Podem ouvir o resto da sessão no site da BBC Radio 1. Lá, encontrarão também uma curiosidade: Where To Turn de James Litherland, produzida pelo pai de James Blake e clara influência em The Wilhelm Scream.
Finalmente a estreia do Anita vai ao Mel na Rádio Autónoma. Pseudo-estreia vá, pois o programa ainda está a limar algumas arestas (a voz no genérico também não nos soou bem) e não tem ainda horário definido. Por isso mesmo, estamos a encará-lo como uma sessão de teste, que resolvemos partilhar convosco no sitio do costume.
Esta semana (vá, a semana passada) dedica(á)mos especial atenção à brilhante estreia em longa duração de Anna Calvi. Celebramos o regresso dos Mogway e Trail Of Dead, ouvimos novos sons de Cass McCombs, recordamos Efterklang e Mynabirds. Lá pelo meio, remixes muito high profile por parte de Diplo e S.maharba, e insistência nos Esben And The Witch e na perfeita Batman, dos Lower Dens. E muito mais, numa hora divida entre as guitarras furiosas e a electrónica que se recusa a comprometer.
Acerca dos próximos programas, já com horários e regularidades semanais, noticias em breve. Entretanto já podem ouvir o programa a passar em modo random pela Autónoma. Se o apanharem, gritem.
Já sabem que podem fazer rápido download da sessão ou ouvi-la já aqui, via Soundcloud. (Para a tracklist, clickem setinha MORE.)
Os Magdalena Solis, escolhidos pelo Anita como um dos melhores projetos escondidos de 2010, é um caso daqueles. Vêm da Bélgica, sabemos que são mais que um elemento pois falam no plural, e pouco mais. Tudo muito moderno.
A imagética e temática remetem para o universo witch house mais hardcore mas eles preferem, com toda a razão, a gaveta do psicadelismo. Ambientes tribais, ocasional poesia e sons fortemente psicoativos ao serviço dum culto pagão imaginário, em sessões que de vem em quando dão assustadoramente para o torto. Magdalena Solis é, como eles próprios se definiram: “reverb worship“.
Os belgas são notícia novamente pois o seu primeiro LP Hesperia está quase a sair – segundo os próprios ainda em produção, mas eles trabalham rápido). Dentro da filosofia da banda de oferecer musica até não ser mais possível fazê-lo, podemos ouvir e baixar o primeiro aperitivo deste primeiro disco “a sério” dos Magdalena Solis, a liricamente tenebrosa Proserpina’s Gardens, no bandcamp da banda ou site da editora Dying For Bad Music.
E depois, é continuar a desbravar aquele precioso bandcamp, e baixar gratuitamente um dos melhores EPs de 2010, Lady Of The Wild Things.
Depois, e só depois, recomenda-se que se purifiquem com sete chibatadas.
Que giro, só descobri isto hoje. Facilmente explicado o desleixo, pois por esta hora o meu cérebro já se terá habituado a ler o nome James Blake na internet, e começou a substituí-lo automaticamente por “”OMG” ou “LOLcatz” para ajudar à percepção.
Felizmente que toda esta atenção é merecida. Este é o novo vídeo para The Wilhelm Scream, a segunda faixa do LP de estreia do jovem prodígio, que cai nas lojas a dia 7 deste mês. O vídeo é um estudo relativamente simples baseado na capa do LP, mas fica como mais uma oportunidade de ouvir uma faixa do fantástico álbum que OMG James Blake preparou para receber o seu ano.