Agnes Obel – Riverside (video)

Da Dinamarca, chegam-nos os sons de Agnes Obel. A cantautora, que faz questão de assinar todas as fases da produção da sua musica, está prestes a lançar o seu primeiro álbum, Philarmonics, depois da grande promessa do EP Riverside.

E é o tema-titulo desse EP que se apresenta hoje: Riverside também abre Philarmonics e é de facto excelente porta de entrada para o mundo algo minimalista de Agnes Obel, povoado de fantasmas e outras criaturas da noite, suavemente embaladas por melodias perfeitas e ritmos de percussão e teclas com precisão quase electrónica. A voz, é a das fadas que existem.

Philarmonics é uma colecção de canções para “aqueles” dias e para todos os outros pois, apesar da aura de floresta negra que rodeia o ambiente do álbum, existem sons para todos os estados de alma. É, acima de tudo, musica de assinatura, velha guarda, sem lo-fi. De um coração para quem o queira ouvir… e aqui ouve-se em repeat.

Fica o vídeo para Riverside.

Philarmonics sai nos princípios de Outubro, e o myspace é de visita obrigatória.

Cassius – I Love You So

Da cripta ressurge o projecto Cassius, depois de um longo hiato de… 1 ano!?

Ok, apercebo-me que não ouvia falar do duo francês desde o 1999, tempos em que Cassius ainda era o melhor pior super-herói da baixa parisiense. Foi por isso com bastante surpresa que ouvi o novo ep para 2010, The Rawkers, e lá encontrei temas do mais absoluto requinte e finesse.  Claro que os tempos da french house viciante/delirante já lá vão há muito, mesmo para os Cassius, mas como só apanhei agora o comboio, tudo é novo para mim: especialmente a ideia de associar Cassius a musica, diga-se, sofisticada, cheia de ideias interessantes mas deliciosamente contida na sua entrega.

E um dos temas que melhor o demonstra é, felizmente, o single de apresentação I Love You So. Numa primeira leitura pode suspeitar tentativas de apanhar o comboio dubstep quando começa a render, afinal estariam longe de serem os únicos ou os primeiros.  Mas quando nos apercebemos que o tema é Ibiza é toda a linha, que as sensações que desperta são as mesmas de uma Feeling for You com ritmo mais espaçado e sedutor, percebemos o triunfo que é este single. Há já quem grite FRENCHSTEP! (ideia tão absurda que não deixa de ser uma óptima ideia): no entanto e por enquanto, I Love You So é pelo menos um dos grandes sons desta segunda metade de 2010 e um excelente regresso de um projecto que, dizem afinal, nunca tinha ido a lado nenhum.

The Rawkers EP sai em Outubro, pela Ed Banger.

Parenthetical Girls – Young Throats (video)

Já cá canta, saliva e muda de roupa o novo EP dos Parenthetical Girls. Segunda parte da saga Privilege, este conjunto de mais quatro canções tem como single de apresentação Young Throats, da qual apresentamos o vídeo.

Muito mais interessante que o que se passa naquele bosque (what’s wrong with her faace?) é a escolha do single: talvez o tema menos parenthetical dos parenthetical, Young Throats é o ultimo álbum dos Editors se eles tivessem falsete e personalidade. Um tema refrescante e, melhor que tudo, apenas um OVNI num EP que ainda cultiva tudo aquilo que faz dos Parenthetical Girls uma das mais interessantes bandas da indie mais “exigente”.

Depois de Evelyn McHale, em apresentação do primeiro EP Privilege, Pt. I: On Death & Endearments, fica Young Throats, de Privilege, Pt. II: The Past, Imperfect.

No mp3: MIT. “Pudong” (video)

Os MIT são um trio alemão (Cologne) cuja ascensão, longe de meteórica, tem sido interessante. Os rapazes tinham umas ideias, trabalharam essas ideias e, num dia de loucura, resolveram convencer o manager de Peaches a ouvi-los. A performer gostou tanto que os colocou a fazer a primeira parte dum seu concerto logo nessa noite e, claro, a partir daí choveram datas, criou-se um álbum – CODA – , finalizaram-se os estudos universitários. Agora, mais propriamente em 10 de Setembro último, apresentou-se novo álbum, que promete dar que falar.

Diz-se que os MIT são sobre economia pop , a mesma duns Neu! e acima de tudo  duns Kraftverk. Fala-se das suas opções rítmicas mais tradicionais, que lhes valeram um som distinto e a produção de Jas Shaw dos Simian Mobile Disco para o ultimo disco. Estas seriam certamente motivações mais que suficientes para dar uma entusiasmada audição a este novo Nano Notes

…mas eu sei o que me puxou. Há algo de absolutamente hipnótico no conceito de musica electrónica cantada em alemão, que me bate fuerte de todas as vezes que me exponho a ela. Aquela ideia semi-industrial duns tipos a cantar directamente para o microfone como se fosse um púlpito, a injecção despropositada de seriedade cool em letras que abordam tanto a condição do humano em território asséptico como a toalha de mesa da vizinha.

Por outras palavras, MIT assinam uns Kraftwerk para a nova geração (finalmente) e cantam em alemão, e não há nada mais cool que cantar em alemão. Fica o vídeo para Pudong, e Nano Notes já está nas lojas.

Anita Vai ao Mel 13

Já passou algum tempo desde o último programa, e as razões são variadíssimas (e algumas delas são mentira). A ultima (verídica, juro) envolve problemas de som muito pouco interessantes, por isso passemos à frente.

Como passou imenso tempo deste o ultimo desaguar de sons, a bexiga do blog está cheia e é necessário evacuar (peço desculpa). Como duas semanas e meia de musica não cabem em 60 minutos nem por bruxedo, sugiro para o Anita Vai ao Mel #13 não uma mas duas sessões de tempo reduzido, que podem ouvir em sequência ou separadas ou ao contrário ou como quiserem. Não havendo apresentações do que se está a passar, segue texto com os pormenores da tracklist, depois de clickarem na setinha MORE. Divirtam-se!

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Dj Shadow – Def Surrounds Us + I’ve Been Trying

Dj Shadow está a distribuir para download gratuito - DURANTE 24 HORAS – a excelente Def Surrounds Us, acompanhada de I’ve Been Trying, ambas a fazerem parte do futuro álbum, ainda sem data de saída.

Já tínhamos passado a primeira no programa há umas semanas, mas o único som disponivel era uma radio rip que ainda assim fez as delicias de toda a gente. Apanhem-na agora na qualidade que merece e a seguir regozijem-se da vossa velocidade e dinamismo ao som de I’ve Been Trying, mais um daqueles temas formato canção com que Dj Shadow nos propõem que vejamos o pôr do sol.

Basta clickar aqui e dar o email costumeiro. Façam isso rápido. Portanto agora.

of Montreal – Sex Karma (Cemetery Gates session video)

A Pitchfork abre a Segunda-Feira cinzenta com três mais cinzentas indiscrições ao sub-mundo of Montreal. Ao vivo da cripta mais iluminada deste lado de Marte, apresentam-se Sex Karma e Coquete Coquette do ultimo False Priest, e ainda  recordação para Heimdalsgate like a Promethean Curse do clássico Hissing Fauna, Are You The Destroyer?

No primeiro vídeo já aqui em baixo, chama-se ao púlpito uma belíssima Solange Knowles, que entre um severo mas estranhamente rítmico episódio epiléptico consegue cantar com alguma certeza “you look like a playground to me” sem se evaporar na cripta. Admiramos a coragem e a mulher é linda, deus a abençoe.

Os outros temas também estão uma delicia e posso dizer, sem ponta de sarcasmo, que nunca os dois temas do ultimo of Montreal me soaram tão bem. Ainda não entrei no álbum como desejaria mas, para work in progress, está no bom caminho.

Para os outros dois temas, clickem para os seguir na cripta Pitchfork.

Philip Selway – By Some Miracle (video)

Há uns dias meti play a este vídeo e encostei-me na cadeira para assistir até ao fim. Aí, pareceu-me ver um esquilo lá fora e nunca mais me lembrei.

O que circulava é que o vídeo de David Altobelli para a belíssima By Some Miracle de Phillip Selway era uma excelente concretização de uma ideia bem simples, acompanhada de musica tão destoada que as duas se completam perfeitamente. Agora que me sento e fecho a janela, para evitar distracções, confiro o pequeno conto sobre a pequenez das nossas expectativas imateriais perante a simplicidade das leis do real.

Mas confiram, confiram. Familial, o primeiro a solo do baterista dos Radiohead, já está nas lojas.

Röyksopp – Senior (stream)

E noutras noticias.

O novo álbum para os Röyksopp - Senior-  está para audição desde ontem no Hype Machine. Ainda estou em audições (do programa da Mary Anne, claro) mas as primeiras faixas prometem já qualquer coisa de interessante, pese embora a reciclagem de batidas antigas, logo na primeira …and The Forest Began To Sing.

A ver vamos se continuam o triunfo do ultimo Junior. Por enquanto aplaude-se a iniciativa do Hype Machine e soltam-se risinhos histéricos quando a primeira faixa na secção normal do Hype Machine é um remix do Thin White Duke.

Senior sai oficialmente a 13 de Setembro.

Mary Anne Hobbs Experimental, the final show.

A primeira vez que ouvi falar dela foi numa conversa sobre programas decentes de dubstep. Estava a explorar o género (ainda não adivinhando o vício) e queria saber onde podia ouvir as novidades com um bocadinho de orientação. Sim, procurava orientação para orientação. Na altura descreveram Mary Anne Hobbs como uma jovem inglesa, armada de uma voz exageradamente sexy, que anunciava faixas e shows num programa e passava uns mixes. Nas minhas rastas formou-se a imagem duma bimba cockney, de roupa branca e boné ao contrário qual Miss Dynamite em crise, a passar os sons que os amigos passavam e a alimentar-se do que ia ouvindo nos charts dedicados. Escusado será dizer que só ouvi o programa pela primeira vez uns bons 10 meses depois.

Passados uns dois anos, o programa da BBC Radio 1 Mary Anne Hobbs Experimental já fazia parte da rotina semanal. Afinal a jovem é uma senhora, lindissima por sinal, e uma muito bem informada workaholic, dona de uma voz inevitavelmente sexy porque o sotaque e a simpatia fazem milagres. Todas as semanas, era delicioso e ao mesmo tempo impressionante ouvi-la escavar entre qualquer coisa como 900 faixas deixadas no seu soundcloud para descobrir três ou quatro minhocas desconhecidas, que depois apresentava no programa com os mais hiperbólicos adjectivos no éter:  as palavras “dashing” e “incendiary” disparam ao minuto, num constante over-hyping que pode assustar os mais incautos com fobias ao NME. Mas entusiasmo é a chave para perceber Mary Anne Hobbs e o seu mundo: o hype não funciona aqui como forma de criar e encher espaço mas sim como genuíno artifício para mandar novos e interessantes nomes cá para fora. Em casa de dúvidas, pergunte-se a Toddla T, Skream, Benga, Vex’d, Mala, Blue Daisy, Martyn, Flying Lotus, Hudson Mohawke, Roy Orbison, a tua mãe na sua fase inspirada. Praticamente toda a gente que alguma vez fez alguma coisa no dubstep e pós-dubstep – leiam-se percursores e inovadores do género – passaram por ali, acompanhados por um adjectivo maior que a vida, quase sussurrado por uma pronuncia tão forte, quase caricatural.

Este tem sido um dos sítios a que sempre recorri para saber o que se ia passar nos próximos meses no meio- a rede de influências da senhora sempre se revelou notável, tendo em conta o espaço de tempo entre a passagem do programa e a edição de um tema, que por vezes ultrapassava o ano, ou mais. O temperamento left-field, o espaço para a inovação, o abraçar de linguagens totalmente distintas fazia daquele programa um maná óbvio para quem se interessa por estas coisas, e não havia (como não há ainda) sitio melhor para começar do que no Mary Anne Hobbs Experimental. Mas mais que uma fonte de material era, acima de tudo, o meu programa de rádio preferido: duas horas de excitação sonora que, nos seus melhores momentos, criou risinhos bem parvos nos autocarros de Lisboa e arrepios no Metro.

Após anos no ar, o programa chega agora ao fim. Mary Anne vai sair da BBC – novos projectos – e as despedidas já começaram muitos programas atrás, com intervenções e mixes muito especiais dos grandes nomes como Ramadanman, Skream, Joker e Digital Mystikz. O programa final, ainda por ouvir aqui por casa, conta com um mix muito especial de Burial e Kode9, uma despedida com as mais altas patentes do movimento, como seria de esperar. Afinal, ao contrário dos meus enganos de há uns anos, Mary Anne não seguia a trend: ela praticamente lançou o movimento, depois duma sessão história em 2006 que lançou o dubstep ao mundo – não será exagero nenhum que todos lhe devam alguma coisa, ainda que indirectamente.

E agora que chega ao fim mais outra rotina cá em casa, faz-se o luto rápido e procuram-se as alternativas. Por enquanto, e talvez com menos vontade, clicka-se no play e ouve-se o ultimo Experimental, que será com toda a certeza um triunfo de boa musica, fraternidade, diligência e dos adjectivos maiores do que a vida. A história da vida de Mary Anne Hobbs, portanto.

Obrigado e até sempre!

Clickem na rádio para ouvirem o ultimo programa, assim como o especial Sonar e a clássica sessão de 2006 que revolucionou a musica electrónica. Para dowloads de TODOS os programas, visitem o Core News.